Manifestações neuropsiquiátricas no hipertireoidismo (com ênfase na mania)

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Manifestações neuropsiquiátricas no hipertireoidismo (com ênfase na mania)

Mensagem  leticia gomes barcelos em Seg Maio 21, 2012 4:49 pm

TIREOTOXICOSE
•A tireotoxicose se refere às manifestações clínicas, fisiológicas e bioquímicas que ocorrem em resposta à exposição a doses excessivas dos hormônios tireoidianos. Pode ser determinada pela superprodução (hipertireoidismo), ingestão exógena ou produção ectópica do hormônio tireoidiano; ou destruição da tireoide, com liberação do seu hormônio estocado.
•A tireotoxicose frequentemente associa-se a irritabilidade, insônia, ansiedade, fadiga e alteração da concentração e da memória, sintomas estes que podem ser episódicos ou evoluir para mania, depressão ou delirium.
•Receptores de T3 são amplamente distribuídos pelo cérebro humano, apresentando maior densidade em estruturas do sistema límbico e hipocampo. Estas estruturas, responsáveis pelo comportamento emocional, poderiam sofrer ação importante do excesso hormonal. Outra hipótese fisiopatológica baseia-se no fato de que muitas das manifestações de tireotoxicose parecem estar associadas aos efeitos beta-adrenérgicos (taquicardia, tremor fino, agitação psicomotora) e poderiam ser reflexo de distúrbio do sistema adrenérgico central, por efeito direto (liberação de catecolaminas) ou indireto (ação sobre os receptores) dos hormônios tireoidianos.Esta teoria é reforçada pela eficácia do uso clínico de propranolol no manejo sintomático de pacientes tireotóxicos. A resolução das manifestações psiquiátricas é alcançada com o tratamento da tireotoxicose.
•A sintomatologia psiquiátrica pode se associar à tiretoxicose. Apesar dessa associação não ser tão frequente, a comunidade médica deve estar alerta para sua existência, uma vez que o tratamento do hipertireoidismo é essencial para o adequado controle dessas manifestações psiquiátricas. O uso de drogas psicotrópicas não deve ser adiado, mas deve ser feito com cautela.

FONTE: Rev Med Minas Gerais 2011; 21(2): 222-225

HIPERTIREOIDISMO
Pacientes com hipertireoidismo podem ser diferenciados dos com transtornos de ansiedade primários pela pele quente, ao invés de fria, pelo apetite aumentado e uma incapacidade descrita de associar a ansiedade a idéias ou preocupações específicas. O hipertireoidismo pode ser diferenciado da mania, em geral, pelo nível diminuído de energia e atividade. Por outro lado, hipertireoidismo em pacientes bipolares é facilmente ignorado, porque o hipertireoidismo pode precipitar mania, e o tratamento subseqüente com lítio pode levar a uma resposta parcial (por suas ações antitireoidéias e antimaníacas).

PORMENORES DE MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS
Ansiedade generalizada, insônia e disforia tensa são comuns. Os pacientes podem estar lacrimejando e chorando sem razão, perplexos com esse fato. Pode ocorrer depressão, mas ela raramente é proeminente em pacientes mais jovens. Os testes psicológicos, embora confirmando a presença de ansiedade e depressão aumentadas, raramente se encaixam nos padrões prescritos de transtornos mentais. Os idosos, contudo, que estão muitas vezes apáticos, podem exibir a melancolia clássica.
Concentração e memória diminuídas são queixas freqüentes em todos os pacientes hipertireóideos. Psicose, ocasionalmente, é observada como parte de um delirium e pode anunciar uma tempestade tireóidea potencialmente fatal.

TRATAMENTO
Os sintomas neuropsicopatológicos geralmente são revertidos com o tratamento antitireóideo, mas pode ser necessário um ano para a recuperação completa. Psicose pode ocorrer ou ser exacerbada pela medicação antitireóidea, e neurolépticos podem induzir uma síndrome semelhante à tempestade tireóidea e síndrome neuroléptica maligna em pacientes hipertireóideos psicóticos.

FONTE: http://www.redepsi.com.br

MANIA
A mania afeta o humor e as funções vegetativas, como sono, cognição, psicomotricidade e nível de energia. Em um episódio maníaco clássico, o humor é expansivo ou eufórico, diminui a necessidade de sono, ocorre aumento da energia, de atividades dirigidas a objetivos (por exemplo, o paciente inicia vários projetos ao mesmo tempo), de atividades prazerosas, da libido, além de inquietação e até mesmo agitação psicomotora. O pensamento tornase mais rápido, podendo evoluir para a fuga de idéias. O discurso é caracterizado por prolixidade, pressão para falar e tangencialidade. As idéias costumam ser de grandeza, podendo ser delirantes. Geralmente a crítica está prejudicada e os ajuizamentos emitidos se afastam da realidade do paciente.
A maior dificuldade no diagnóstico ocorre em episódios em que há irritabilidade, idéias delirantes paranóides, agitação psicomotora e sintomas depressivos com labilidade afetiva. Quando sintomas depressivos estão presentes em grande quantidade, o quadro é denominado de episódio misto ou até mesmo de depressão agitada. Não há consenso sobre o número de sintomas necessários para esta diferenciação.
Várias doenças neurológicas, como epilepsia, traumatismo craniencefálico, acidente vascular cerebral, ou, ainda, endócrinas ou metabólicas, a exemplo do hipertireoidismo, podem causar quadros maniformes.

TRATAMENTO MANIA
O lítio continua sendo o medicamento de primeira escolha, apresenta maior número de estudos controlados demonstrando sua eficácia na mania/hipomania e na prevenção de recorrências. Além disso, é o único com efeito na prevenção do suicídio em bipolares; o risco de morte por suicídio foi 2,7 vezes maior durante o tratamento com divalproato que com lítio (Goodwin et al., 2003; Dunner, 2004). O lítio costuma ter melhor resposta em episódios clássicos de mania, com humor eufórico e sem muitos sintomas depressivos ou psicóticos. O curso mania–depressão–eutimia favorece a resposta ao lítio, ao contrário do curso depressão– mania–eutimia. Seu início de ação é mais lento, comparado com valproato e antipsicóticos (WGBD, 2004).
Nos estudos comparativos com outra droga ativa, todos randomizados, a eficácia do lítio se equiparou às do ácido valpróico, da carbamazepina, da risperidona, da olanzapina, da clorpromazina e do haloperidol. Entre estes, somente três comparativos com a clorpromazina tiveram amostras suficientes para detectar diferenças de eficácia entre os tratamentos. Estudos abertos, sendo dois ensaios clínicos, um estudo longitudinal e uma revisão com análise secundária dos dados, e três randomizados (dois dos quais revisões com análise secundária de dados), indicaram que o lítio é mais eficaz na mania pura e menos no tratamento dos estados mistos (WGBD, 2004).

FONTE: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/s1/39.html

leticia gomes barcelos

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