Doença Arterial Obstrutiva Periférica

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Doença Arterial Obstrutiva Periférica

Mensagem  Evandro Guedes Gonçalves em Seg Abr 02, 2012 11:41 am

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é a principal causa de morte no mundo ocidental. É caracterizado pelo depósito de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, reduzindo seu calibre e trazendo um déficit sangüíneo aos tecidos irrigados por elas.Seu desenvolvimento é lento e progressivo, e é necessário haver uma obstrução arterial significativa, de cerca de 75% do calibre de uma artéria, para que surjam os primeiros sintomas isquêmicos (sintomas derivados da falta de sangue).
A DAOP é uma doença sistêmica, acometendo simultaneamente diversas artérias do ser humano, ela pode causar complicações como angina, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, insuficiência renal, acidente vascular cerebral ou obstrução de artérias periféricas.

O quadro clínico apresentado pelo paciente vai depender de qual artéria está mais significativamente obstruída:

- Caso sejam as coronárias (artérias do coração), se produzirá a dor cardíaca durante o esforço - angina de peito - na evolução crônica ou o enfarte na evolução aguda.
- Caso sejam as carótidas (artérias do pescoço) se produzirão perturbações visuais, paralisias transitórias e desmaios na evolução crônica ou o derrame (acidente vascular encefálico) na evolução aguda.
- Caso sejam as artérias ilíacas e femorais (artérias de membros inferiores) se produzirão claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar), queda de pêlos, atrofias da pele, unhas e musculares, e até mesmo impotência sexual (dificuldade de ereção peniana) nos casos crônicos e gangrena nos casos agudos.

Estudos epidemiológicos mostraram que a DAOP incide com maior freqüência e intensidade em indivíduos que têm algumas características, que foram denominadas "fatores de risco":

Idade: Predominante na faixa de 50 a 70 anos.
Sexo: Predominante no sexo masculino, pois as mulheres são "protegidas" desviando suas gorduras sangüíneas para a produção de hormônio feminino (estrogênio). Após a menopausa a "proteção" desaparece.
Hiperlipidemia: Indivíduos que têm altos níveis de gorduras circulantes no sangue, sendo o colesterol a principal delas, depositam este excesso nas artérias obstruindo-as progressivamente.
Tabagismo: Os indivíduos que fumam têm um risco nove vezes maior de desenvolver a DAOP que a população não fumante. A decisão de parar de fumar modifica favoravelmente a evolução dos pacientes sintomáticos.
Hipertensão: A hipertensão arterial provoca alterações na superfície interna das artérias, facilitando a penetração das gorduras na parede arterial.
Sedentarismo: A atividade física reduz os níveis de colesterol e favorece a circulação.
História familiar: Assim como a idade e o sexo, não podemos mudar nossa herança genética, e este é um fator também importante, não devendo ser negligenciado. Há famílias que, por diversos desvios metabólicos, estão mais sujeitos à doença.
-Diabetes Melito : o diabetes aumenta o risco da DAOP de 1,5 a 4 vezes, estando associada a eventos cardiovasculares e aumento da mortalidade. No estudo de Framingham que se baseou em respostas de questionários respondidos pelos pacientes, encontrou-se uma associação de 20% de DAOP e diabetes. Quando o diagnóstico foi feito através do Índice Tornozelo-Braço (ITB) como no estudo NHANES constatou-se uma incidência de 26%. Recentemente, no estudo ARIC foi encontrado nos pacientes diabéticos em terapia com insulina elevada associação com DAOP. Em pacientes americanos diabéticos, de origem africana e hispânicos, foi encontrada uma elevada incidência de DAOP quando comparados a brancos e não hispânicos. Pacientes com DAOP diabéticos têm risco elevado de complicações como úlceras isquêmicas, gangrenas, sendo a causa mais comum de amputação nos Estados Unidos. O diabetes pode contribuir para o desenvolvimento da DAOP por vários razões, como na sua associação com tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia que podem favorecer os mecanismos da inflamação vascular, disfunção da célula endotelial e das células musculares lisas, aumento da agregação plaquetária e do fibrinogênio,
favorecendo o processo arteriosclerótico

Tratamento:
O melhor tratamento para a aterosclerose é a prevenção. Apesar da DAOP não apresentar cura, de 75 a 80% dos pacientes melhoram ou estabilizam apenas com as caminhadas e o combate aos fatores de risco. Além da atividade física, existem medicamentos como vasodilatadores periféricos, anti-agregantes plaquetários e as estatinas que também podem completar o tratamento da DAOP.
Além do tratamento clínico a DAOP pode ser tratada através da terapia cirúrgica e endovascular. A terapia cirúrgica é feita através de uma revascularização do membro onde podemos usar a própria veia do paciente (ex: veia safena) ou uma prótese sintética como substituto arterial do vaso obstruído. Já a terapia endovascular, um procedimento minimamente invasivo, realizamos o tratamento por dentro do vaso, através de uma angioplastia ou associada a colocação de um Stent.

Fonte:Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

Evandro Guedes Gonçalves

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