Síndrome de Gilbert

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Síndrome de Gilbert

Mensagem  Lídia de Souza Braz em Dom Mar 25, 2012 2:55 pm

A síndrome de Gilbert é uma condição crônica benigna caracterizada pelo aumento da bilirrubina indireta que se manifesta clinicamente como icterícia. Os pacientes apresentam-se ictéricos quando submetidos ao estresse ou exercícios, infecções, durante a fase de sangramento ativo do ciclo menstrual ou quando permanecem em jejum, tendo uma prevalência estimada de 6% na população em geral. Ocorre com mais frequência no sexo masculino. O diagnóstico da síndrome pode ser feito, observando-se a história familiar, a duração da doença, a ausência de outras doenças hepáticas que justifiquem a icterícia e o aparecimento desta pelos fatores predisponentes, como jejum, menstruação, estresse e exercícios. O diagnóstico pode ser confirmado pela melhora do quadro de icterícia após o uso de fenobarbital e pela piora após o uso de ácido nicotínico por via venosa. Como na síndrome de Gilbert a atividade da glicuroniltransferase é baixa, e sendo necessária para eliminação de algumas drogas, há o risco de toxicidade.

Fonte: BARBOSA, F. T. et al. Anestesia em Paciente com Síndrome de Gilbert. Relato de Caso. Revista Brasileira de Anestesiologia, 54, 3, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rba/v54n3/v54n3a12.pdf>.

A identificação dos portadores da síndrome, como doença geneticamente transmitida, deve alertar os familiares para a possibilidade de aparecimento de icterícias importantes em irmãos e descendentes futuros, permitindo, em outras gravidezes, o aconselhamento e acompanhamento em maternidades dotadas de recursos adequados. Vale ainda lembrar que, aproximadamente, 50% da população possui pelo menos um alelo do promotor da síndrome. Além disso, pode-se evitar perda de tempo e de recursos financeiros na investigação de patologias hepáticas em eventuais pequenos surtos de icterícia, que surgem nesses indivíduos quando submetidos à privação de alimentos. Devem os portadores, ainda, ser alertados sobre a ocorrência aumentada de colelitíases.

Fonte: FACCHINI, F. P.; DE ASSIS, A. M. Hiperbilirrubinemia neonatal prolongada devido à associação entre síndrome de Gilbert e doença hemolítica por incompatibilidade RhD. Jornal de Pediatria, 81, 5, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5/v81n5a15.pdf>.

A síndrome de Gilbert é uma condição hereditária, relativamente comum, benigna, que se manifesta por hiperbilirrubinemia leve, flutuante, na ausência de hemólise ou doença hepática. A atividade da glicuronidação da bilirrubina hepática corresponde a aproximadamente 30% do normal, uma redução menos severa que nas síndromes de Crigler-Najjar. Na maioria dos pacientes, ela é causada pela inserção homozigótica de duas bases adicionais na região promotora 5' do gene de UGT1, provocando redução da transcrição. A hiperbilirrunemia leve pode não ser descoberta por muitos anos e não está associada a perturbações funcionais. Quando detectada na adolescência ou na vida adulta, tipicamente ocorre em associação com um estresse, como uma doença intercorrente, exercício extenuante ou jejum. A síndrome de Gilbert em si não tem consequências clínicas, com exceção da ansiedade que um portador de icterícia possa, justificavelmente, sofrer com essa condição inócua sob outros aspectos. Contudo, indivíduos que apresentam a síndrome de Gilbert podem ser mais susceptíveis aos efeitos adversos de drogas metabolizadas por UGT1A1.

Fonte: KUMAR, V. et al. ROBBINS & COTRAN. Patologia - Bases Patológicas das Doenças. 8ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

A Síndrome de Gilbert consiste em uma hiperbilirrubinemia não conjugada crônica benigna que ocorre mesmo na ausência de doenças hepáticas e hemólise, sendo caracterizada por episódios de icterícia. Ocorre em 5 a 7% da população e é causada por uma mutação no gene UGT1A1. A proteína UGT1A1 é responsável pela conjugação da bilirrubina em ácido glicurônico. Porém, como resultado da mutação, que tem mecanismos variados de herança, a atividade da enzima UDP-glucuronil-transferase torna-se reduzida em diversos graus, resultando na variabilidade fenotípica da síndrome de pessoa para pessoa. Geralmente, esta redução ocorre em torno de 25% do normal, minimizando a transformação da bilirrubina indireta (não conjugada) em bilirrubina direta (conjugada). A síndrome é benigna e, geralmente, sem conseqüências clínicas. A icterícia pode surgir na adolescência, após jejum, exercícios físicos, menstruação ou após a utilização de alguns medicamentos. É uma das mais comuns doenças hereditárias decorrentes da deficiência na glicuronidação da bilirrubina, podendo também afetar o metabolismo de certas drogas. É freqüente o achado de resultados elevados de bilirrubina sem qualquer explicação aparente. Estes casos só são aceitos após diversas repetições e geralmente há a necessidade de análise genética, o que tem permitido confirmar muitos casos de Síndrome de Gilbert. Atualmente sabe-se que pacientes portadores da Síndrome de Gilbert são mais sensíveis aos efeitos adversos dos antineoplásicos e outras drogas que sofrem metabolismo via glicuronidação hepática. Apesar de benigna, é indicado realizar o diagnóstico genético de Síndrome de Gilbert a fim de se afastar a hipótese de doença hepática ou doenças das vias biliares e outras. Vale ressaltar que são necessários outros fatores além do genético para o desenvolvimento da Síndrome de Gilbert, pois fatores ambientais e alterações em outros genes desconhecidos são potenciais desencadeadores.

Disponível em: <http://www.hermespardini.com.br/atual_manual/pdf_genetica_novos_exames/Sindrome_de_Gilbert,_Estudo_Genetico_da.pdf>.

Hereditária de transmissão autossômica dominante, que cursa com hiperbilirrubinemia não conjugada ligeira, em geral não ultrapassando 2-5 mg/dl, com restantes provas da função hepática normais. Resulta de um déficit parcial da atividade da enzima hepática bilirrubina-UDP-glucuronil-transferase (UDP-GT), o que leva a uma diminuição da depuração da bilirrubina (BRB), associada ou não a uma ligeira diminuição da sua captação hepática. Para alguns autores a causa é multifatorial, englobando também a diminuição do ácido UDP-glicurônico, liberação aumentada, por lipólise, da BRB acumulada no tecido adiposo, assim como uma diminuição da semi-vida das hemácias e um aumento da reabsorção intestinal da BRB não conjugada. É uma situação benigna não associada a hemólise nem a outros sinais de doença hepática, além da hiperbilirrubinemia. Predomina no sexo masculino (4:1) e afeta 3-7% da população, sendo considerada, por alguns autores, como uma variante do normal. A síndrome de Gilbert manifesta-se habitualmente por icterícia ligeira ou subicterícia flutuante isolada, que se evidencia melhor nas situações de jejum, infecção, febre, cirurgia ou stress. O exame objetivo é normal, à exceção de icterícia discreta, geralmente detectada em “exames de rotina”. Excepcionalmente os “doentes” poderão manifestar sintomas inespecíficos como desconforto abdominal, fadiga e astenia, sendo questionável se esta clínica não se deverá antes a uma manifestação de ansiedade. Após exclusão de doença hepática e das causas mais comuns de anemia hemolítica, o diagnóstico é baseado na clínica e pode ser confirmado pelas provas de restrição calórica, prova do ácido nicotínico e prova da rifampicina em face de se constatar uma elevação da bilirrubina em 2 a 3 vezes o valor basal; ou pela prova do fenobarbital em que ocorre diminuição da bilirrubina. Alguns autores consideram também de importância diagnóstica a determinação das frações de bilirrubina mono e diconjugada, por metanólise alcalina seguida de cromatografia líquida de alta pressão ou em camada fina. Nessa síndrome, a fração diconjugada encontra-se muito diminuída. Mais recentemente Fernandez e col. sugerem que o diagnóstico da síndrome poderá ser afirmado, na ausência de doença hemolítica, por uma hiperbilirrubinemia não conjugada associada a valores normais dos ácidos biliares, sem necessidade de outras provas, visto a elevação dos ácidos biliares preceder o aumento das transaminases nas hepatopatias. Tratando-se em geral de um diagnóstico realizado na segunda década de vida, por vezes poderá surgir mais cedo.

Fonte: CUNHA, M. et al. Hiperbilirrubinémia Não Conjugada Crónica— três casos. Saúde Infantil, 18, 47-52, 1995.

Lídia de Souza Braz

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