Complicações da DM: Neuropatia periferica

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Complicações da DM: Neuropatia periferica

Mensagem  Evandro Guedes Gonçalves em Sab Mar 24, 2012 9:43 pm

O diagnostico das formas mais frequentes de neuropatia diabética baseia-se na caracterização do quadro clinico com os sintomas e sinais clínicos mais típicos e na realização de testes neurológicos. A principais manifestações clinicas de comprometimento somático são de dormência ou queimação em membros inferiores, formigamento, pontadas, choques, agulhadas em pernas e pés, desconforto ou dor ao toque de lençóis e cobertores, queixas de diminuição ou perda de sensibilidade tátil, térmica ou dolorosa. Ainda que a predominância de sintomas e sinais se localize nos membros inferiores, os membros superiores (mãos e braços) podem também ser afetados. E importante destacar que a ausência de sintomas e sinais de parestesia anteriormente mencionada nao exclui a neuropatia, pois alguns pacientes evoluem direto para a perda total de sensibilidade. Os testes neurológicos basicos envolvem a avaliação de sensibilidade, pesquisa de reflexos tendinosos e medidas de pressão arterial (deitado e em pe) e frequência cardíaca.

Tratamento da Neuropatia Diabética
Controle metabólico
O bom controle metabólico do diabetes é, sem duvida, o principal fator preventivo da neuropatia, tanto prevenindo o aparecimento de lesão como sua intensidade e extensão. Alguns estudos (p. ex., DCCT) tambem sugerem que o bom controle metabólico pode melhorar a neuropatia ja estabelecida. Alem disso, a indicação de outras medidas terapêuticas, como o uso de inibidores da aldose redutase ou inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), não tem efeitos benéficos bem confirmados.

Tratamento dos sintomas e sinais da neuropatia sensório-motora

Especialmente da dor neuropática, as principais opções terapêuticas para as parestesias e dores da neuropatia diabética são:
- acunpuntura;
- medicamentos antidepressivos triciclicos: amitriptilina (25-150mg), imipramina (25-150mg), nortriptilina (10-150mg) por via oral/dia;
- medicamentos anticonvulsivantes: carbamazepina(200-800mg), gabapentina (900-1.800mg) por via oral/dia;
- neuroleptico – flufenazina (1-6mg, por via oral/dia);
- capsaicina (0,075%) creme – uso topico;
-mexiletina (300-400mg, por via oral/dia);
- clonidina (0,1-0,3mg/dia);
- duloxetina (60-120mg/dia).

Tratamento dos sintomas e sinais de neuropatia autonômica

Disautonomia cardiovascular:
1- Hipotensão postural: evitar mudancas posturais bruscas, uso de meias ou calcas compressivas, elevacao da cabeceira do leito (30cm) e, quando necessario, uso de fludrocortisona (Florinefe) 0,1-0,4mg/dia por via oral.

Disautonomia gastrointestinal:
1 Gastresofagiana: metoclopramida, cisaprida e domperidona;
2- intestinal (diarreia/constipacao): antibiótico de amplo espectro e loperamida e difenoxilato; aumento da ingesta de fibra alimentar.
Disautonomia geniturinária
1-Bexiga neurogênica: treinamento para esvaziamento vesical programado (completo com manobras de compressao abdominal e autosondagem); antibioticoterapia nas infeccoes
urinarias e na sua prevencao, cloridrato de betanecol em caso de volume residual pós miccional significativo (> 100ml).
2- Disfuncao eretil: atualmente, a primeira escolha inclui os medicamentos do grupo dos inibidores da fosfodiesterase (sildenafil,vardenafil e tadalafil). Sao tambem utilizadas drogas de uso intracavernoso ou intra-uretral (papaverina, fentolamina e prostaglandinas), protese peniana e dispositivos a vácuo.

Pé Diabético
O pé diabético representa uma das mais mutilantes complicações crônicas do diabetes mellitus(DM).Os mecanismos de afecção dos membros inferiores, quais sejam neuropatia diabética (ND), doença arterial periférica (DAP), ulceração ou amputação, afetam a população diabética duas vezes mais que a não diabética.O fator mais importante, inquestionavelmente, para o surgimento de úlceras em membros inferiores é a ND, que afeta 50% das pessoas com DM com mais de 60 anos, pode estar presente antes da detecção da perda da sensibilidade protetora, resultando em maior vulnerabilidade a traumas e acarretando um risco de ulceração de sete vezes. O aumento da pressão plantar relaciona-se à limitação da mobilidade articular (articulações do tornozelo,subtalar e metatarsofalangianas) e às deformidades (proeminências, dedos em garra, dedos em martelo).

Classificação do pé em risco (Grupo de Trabalho Internacional)
Grau 0 > Neuropatia ausente > Orientacao sobre cuidados gerais; avaliação anual
Grau 1> Neuropatia presente, sem deformidades> Calcados adequados (ex. tenis); avaliação semestral
Grau 2> Neuropatia presente com deformidades (dedos em garra, dedos em martelo, proeminencias em antepé, Charcot) ou DAP> Orientar sobre calcados especiais que acomodem as deformidades, palmilhas ou outras orteses; reavaliacao trimestral
Grau 3> Historia de ulcera, amputação> Calcados especiais que acomodem deformidades, palmilhas, orteses, proteses; avaliacao mensal ou trimestral


Fonte:Tratamento e acompanhamento do Diabetes Mellitus
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2006.
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Evandro Guedes Gonçalves

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Sensacional!!!

Mensagem  Rodrigo Pastor em Dom Abr 01, 2012 9:03 pm

Olá, Evandro.Post muito bom. Já pensou em alguma medida para a nossa paciente?
Att,
Rodrigo

Rodrigo Pastor

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