Complicações da Cirurgia Bariátrica

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Complicações da Cirurgia Bariátrica

Mensagem  Fellype em Ter Mar 20, 2012 8:55 pm

A cirurgia bariátrica é o tratamento de escolha para obesidade mórbida e seus objetivos são diminuir os sinais de fome, aumentar os sinais de saciedade produzindo estado controlável de subnutrição8. Neste estudo, os pacientes foram acompanhados por um período médio de 52 meses e observou-se que a redução do peso foi de 26,7% nos primeiros seis meses e de 36,5% no final do estudo. O IMC que inicialmente, apresentava mediana de 49,28 kg/m2 reduziu-se para 36,5 kg/m2 aos seis meses de pós-operatório e 32,4 kg/m2 no final do estudo. Embora tenha ocorrido redução importante do peso no final do estudo, 26 (59,1%) pacientes apresentaram IMC maior que 30 kg/m2 e 12 (27,3%) destes, estavam com IMC acima de 35 kg/m2. Outros autores observaram ganho de peso em cinco a sete após a operação. Segundo Christou em seguimento de 10 anos, observou que 57% dos pacientes apresentaram IMC entre 40 e 49 kg/m2. Entretanto, houve melhora significativa das comorbidades3. Este fato também foi observado neste estudo, pois houve melhora de 50% do diabetes tipo II com níveis normais de glicemia a partir do 6º. mês após a operação e melhora nos níveis de colesterol total, onde todos os pacientes apresentavam níveis normais no final do estudo.

A anemia pode afetar 2/3 dos pacientes pós-operados; isso se deve à deficiência de ferro e vitamina B12, ácido fólico e micronutrientes, associado a um processo inflamatório crônico4,5,10,12,13. A evolução da anemia neste estudo, aconteceu de modo diferente. Observou-se no período pré-operatório que oito (18%) dos pacientes apresentaram anemia, elevando-se para 11 (25%) após a operação e, no final do estudo, reduzindo-se para 9 (20%) - semelhante à fase pré-operatória. Dos pacientes anêmicos na fase final, um (11,1%) apresentou associação com hipoalbuminemia e um (11,1%) com a presença de sangue oculto nas fezes. Portanto, a desnutrição ou a perda de sangue não explicam, de forma satisfatória, a síndrome anêmica.

Agrawal, et al.2 ao estudar o efeito da redução do peso sobre a albumina, observou que 6,2% dos pacientes operados apresentavam microalbuminúria, e ela era mais importante nos pacientes diabéticos ou com síndrome metabólica. Em outro estudo, os mesmos autores observaram que a albuminúria era diretamente proporcional à perda de peso1. Fato este, corroborado por outros autores, demostra a associação entre a grande perda de peso e a hiperfiltração glomerular, com proteinúria ou microalbuminúria e hipoalbuminemia4. Neste estudo os pacientes apresentaram melhora significativa da albumina sérica, pois na avaliação pré-operatória 13 (29,5%) tinham hipoalbuminemia; no 6º. mês de pós-operatório esse número reduziu-se para sete (15%) e se manteve reduzindo até o final do estudo, quando observou-se apenas três (6,8%) pacientes.

Na fase final do estudo, observou-se a presença de gordura fecal em 16 (36,4%) pacientes, substância redutora nas fezes em um (2,3%) paciente. Este resultado demonstra deficiência na digestão e absorção da gordura com pouco prejuízo na digestão e absorção de carboidratos após a operação. Contudo, são necessários estudos específicos da qualidade da digestão e da absorção de nutrientes nos pacientes pós-operados para conclusões definitivas.

Ao analisar-se o diâmetro do anel, observou-se que de um total de 37 pacientes com anel menor que 1 cm, 34 (91,8%) apresentavam IMC acima de 30 kg/m2, e de um total de sete pacientes com anel maior que 1 cm, todos apresentaram IMC acima de 30 kg/m2. Vários autores demonstraram a importância do tamanho do anel de silicone no emagrecimento sustentado do paciente. Este estudo não demonstra essa associação.

Dos 34 pacientes com anel menor que 1 cm, nove (26,4%) evoluíram com anemia e nove (26,4%) com sangue oculto nas fezes. Esse fato pode ser explicado pela dificuldade de passagem do alimento pelo anel e consequente lesão da mucosa gástrica. Entretanto, somente um paciente apresentou as duas alterações.

Dos sete pacientes com anel maior que 1 cm, seis (85,7%) apresentam gordura fecal positiva, quatro (57%) sangue oculto presente nas fezes, porém nenhum com anemia ou hipoalbuminemia. Sendo assim, o paciente com anel maior que 1 cm apresenta facilidade no esvaziamento gástrico, resultando em aumento da perda de gordura nas fezes. A presença de sangue oculto nas fezes pode ocorrer pela má digestão dos alimentos de origem animal. No entanto, não há repercussão no estado nutricional do paciente e na incidência de anemia.

As operações bariátricas se firmaram como a terapia mais eficaz para o tratamento da obesidade grave e refratária2 e a operação de bypass gástrico em Y de Roux, como uma das técnicas mais empregadas no mundo para este fim. Mas não veio isenta de complicações.

Como as operações para obesidade têm como base as ressecções gástricas e reconstruções com alças jejunais das mais diversas formas, uma gama de complicações da cirurgia bariátrica se sobrepõe ao rol de complicações inerentes às gastrectomias para doenças dispépticas, conhecidas desde os primórdios do desenvolvimento cirúrgico para tais doenças como síndromes pós-gastrectomias: síndrome de alças aferente e eferente, síndrome do estômago pequeno e a síndrome de dumping3. Apesar das causas de muitas dessas desordens permanecerem obscuras, a perda da inervação vagal, o bypass, a ablação ou a destruição do piloro claramente estão envolvidos na patogênese de muitas, senão de todas estas complicações1-7. A crise de dumping típica aparece ainda enquanto o paciente se alimenta, ou dentro dos primeiros 30 minutos após a ingestão. Inicia-se com uma sensação de plenitude, é acompanhada por calor e transpiração na parte superior do tórax, e em alguns casos, pode envolver todo o corpo. Segue-se intenso estado de prostração, astenia e mal estar, chegando o paciente a um estado de fraqueza tamanho que é compelido a deitar-se - nos casos mais graves, de meia a uma hora ou mais. São queixas que aumentam a insegurança desses pacientes em relação ao tipo de alimento que podem ingerir, suscitando inclusive medo de se alimentar, podendo evoluir com distúrbios nutricionais. Em certos casos, a síndrome de dumping é tão grave, com sintomas tão incapacitantes, que obriga a procedimento operatório complementar ou reparatório.

Trecho retirado do artigo: JOIA-NETO, Luiz; LOPES-JUNIOR, Ascêncio Garcia e JACOB, Carlos Eduardo. Alterações metabólicas e digestivas no pós-operatório de cirurgia bariátrica. ABCD, arq. bras. cir. dig. [online]. 2010, vol.23, n.4 [citado 2012-03-20], pp. 266-269 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-67202010000400012&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0102-6720. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202010000400012.

outra referência interessante: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912009000500009&lng=pt&nrm=iso

Dúvida esclarecida!

Fellype

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