ÍNDICE TORNOZELO BRAQUIAL

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ÍNDICE TORNOZELO BRAQUIAL

Mensagem  Evandro Guedes Gonçalves em Seg Mar 12, 2012 10:39 pm

Métodos de diagnóstico precoce são úteis na detecção do
processo aterosclerótico, sendo o índice tornozelo-braquial (ITB)
um bom instrumento para essa finalidade. O ITB representa a
razão entre a pressão arterial sistólica do tornozelo e do braço,
é um método simples, não invasivo, de baixo custo e de grande
confiabilidade. O cálculo do ITB é realizado pela relação da maior
pressão arterial sistólica da artéria tibial posterior e da artéria
dorsal do pé (com obtenção nos dois membros ou em apenas
um, dependendo da casualidade) com a maior pressão sistólica
das artérias braquiais. Vários estudos comprovam a eficácia
do ITB como ferramenta para diagnóstico de moléstias cardiovasculares
em sua fase inicial, oferecendo redução de custos
para o sistema de saúde brasileiro e empresas, prevenindo os
riscos cardiovasculares e melhorando a qualidade de vida.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O ÍNDICE TORNOZELO -
BRAQUIAL E A DOENÇA ATEROSCLERÓTICA CARÓTIDEA?

Grandes estudos demonstraram em todo o mundo que o ITB é
considerado uma ferramenta não invasiva eficaz no diagnóstico
de doença aterosclerótica carotídea, por causa de sua capacidade
em detectar variações de fluxo no circuito arterial, ocasionadas
por estenoses (moderadas ou graves) no leito vascular.
Valores de ITB entre 0,91 a 1,30 são considerados normais, e
os acima de 1,30 ou abaixo de 0,91 se constituem em fortes
preditores de doença aterosclerótica difusa e demonstram a
presença de enrijecimento arterial em virtude da calcificação
da camada média e, consequente, rigidez da parede vascular.
Esse método de diagnóstico apresenta sensibilidade de 95%
e especificidade de 100% na detecção precoce de afecções
cardiovasculares geradoras de comprometimento no fluxo
sanguíneo. Geralmente, essa situação ocorre em indivíduos
com alto risco cardiovascular; tabagismo, dislipidemia, diabetes
mellitus, idade avançada e hipertensão arterial são preditores do
desenvolvimento da doença. Pacientes com valores alterados
de ITB deverão ser submetidos a posterior avaliação diagnóstica
para doença arterial carotídea e periférica.
A relação entre o ITB e a doença aterosclerótica carotídea
pode ser explicada pela rigidez arterial, decorrente da idade
avançada, tabagismo e formação de placas ateroscleróticas
na íntima-média e pela medida da velocidade de onda de
pulso carotídea-femoral, que se apresenta aumentada devido
à alteração na capacidade de contração e ao relaxamento do
vaso arterial. Segundo Fowkes e Makdisse, valores de ITB >
1,30 são plenamente característicos de rigidez aumentada no
circuito arterial, gerando complicações funcionais significativasno sistema cardiovascular; dessa forma, o ITB se mostra uma
ferramenta importante (baixo custo e fácil aplicabilidade) na
investigação do risco cardiovascular.
Para o diagnóstico das alterações anatomopatológicas relacionadas
à doença aterosclerótica carotídea, considera-se normal
a espessura de 0,80 mm na íntima-média da carótida comum
pré-bifurcação. Valores entre 0,90 e 1,40 mm são considerados
como espessamento. Quando a espessura ultrapassar 1,40 mm,
a presença de placa ateromatosa se torna bastante evidente.
A íntima relação entre alteração anatomopatológica e valores
anormais de ITB favorece a detecção precoce dessa afecção,
minimizando as complicações cardiovasculares e cerebrovasculares
e, consequentemente, reduzindo os índices de morbidade
e mortalidade na população.

Fonte:Rev Bras Hipertens vol.17(2):117-118, 2010.Índice tornozelo-braquial no diagnóstico da doença
aterosclerótica carotídea, Luiz Tadeu Giollo Júnior, José Fernando Vilela Martin.
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Evandro Guedes Gonçalves

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método para o cálculo

Mensagem  Rodrigo Pastor em Seg Mar 19, 2012 8:24 pm

Gostei muito do seu post, Evandro. Gostaria de comentar algumas coisas, ligadas à MBE.
A primeira e mais importante é a de que devemos sempre procurar evidências de desfechos que importam ao paciente (morbidade, mortalidade e qualidade de vida), também chamadas de POEM's (Patient Oriented Evidence that Matter). No caso do estudo postado, o desfecho avaliado (espessamento da camada íntima arterial, pode ou não estar ligado a POEM's. Nesse caso, o ideal seria fazer uma busca com o prognóstico da alteração de ITB. Ou seja, diminuição de ITB está associado a doenças, morte ou redução da qualidade de vida?
A segunda é: qual o melhor método para realizar o ITB (com o doppler ou com método auscultatório). Colo abaixo uma referência que pode nos ajudar.
Abraço,
Rodrigo
auscultatory method of assessing ABI can rule out (but not rule in) ABI < 0.9 using Doppler method
based on 2 diagnostic cohort studies
88 patients had ABI measured with stethoscope and with Doppler probe
7 excluded due to incomplete data
mean stethoscope ABI (1.01) and mean Doppler ABI (1.03) had good correlation (p = 0.047)
14 patients (17.3%) had abnormal stethoscope ABI and 16 (19.8%) had abnormal Doppler ABI
using Doppler ABI as reference standard, stethoscope ABI had
71%sensitivity
91% specificity
62.5% positive predictive value
94% negative predictive value
positive likelihood ratio 7.93
negative likelihood ratio 0.31
Reference - Fam Pract 2009 Feb;26(1):22
119 consecutive patients > 50 years old (mean age 75 years) admitted to 2 hospitals in Japan had systolic blood pressures of brachial and posterior tibial arteries measured by auscultatory and Doppler methods for 238 legs
blood pressures were measured twice and average used to calculate ABI
measurements by different methods were done by 2 investigators blinded to each other's findings in randomly assigned sequences
PAD diagnosed if Doppler ABI ≤ 0.9
PAD diagnosed in 33 (14%) legs and 22 (18.5%) patients
9.2% patients had mild PAD (ABI 0.71-0.9), 9.2% patients had moderate PAD (ABI 0.41-0.7), no patient had severe PAD (ABI < 0.41)
mean brachial systolic blood pressure 127.7 mm Hg for auscultatory method and 131.1 mm Hg for Doppler method
Korotkoff sounds inaudible in 76 (32%) legs and 47 (40%) patients, for whom mean ankle systolic blood pressure 119.6 mm Hg by Doppler method
mean ankle systolic blood pressure (when audible) 127.3 mm Hg for auscultatory method and 142.6 mm Hg for Doppler method
diagnostic utility of auscultatory ABI in analysis of patients (18.5% prevalence of PAD)
inaudible findings found in 47 patients, 18 (38%) had PAD, likelihood ratio 2.7
ABI 0.9 or less found in 22 patients, 3 (14%) had PAD, likelihood ratio 0.7
ABI > 0.9 found in 50 patients, 1 (2%) had PAD, likelihood ratio 0.09
diagnostic utility of auscultatory ABI in analysis of legs (14% prevalence of PAD)
inaudible findings found in 76 legs, 27 (35.5%) had PAD, likelihood ratio 3.4
ABI 0.9 or less found in 36 legs, 5 (14%) had PAD, likelihood ratio 1
ABI > 0.9 found in 126 legs, 1 (0.8%) had PAD, likelihood ratio 0.05
Reference - Fam Pract 2006 Feb;23(1):10 full-text

Rodrigo Pastor

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